Quem escreve, no meio evangélico, não pode conduzir-se meramente por aquilo que dita o “mercado”. Nem sempre o “mercado” quer o que precisa, mas o que faz cócegas aos seus ouvidos. No entanto, o escritor deve estar atento ao que está sendo sinalizado para que descubra quais são, de fato, as verdadeiras necessidades do público e possa, assim, supri-las. Ele é como um profeta. Suas palavras precisam estar carregadas de significado para os que o lêem. Sua missão não é vender ilusões, nem simplesmente funcionar como um analgésico, que minora os efeitos, mas não combate as causas. Tente eliminar a dor, claro, mas não deixe de ir às raízes. É lá que precisa ser transformado.
O escritor evangélico não pode escrever por escrever. Ele não é uma máquina de produção em série, que lança no “mercado” um livro atrás do outro. O anterior nem bem acabou de ser “digerido” pelos leitores, enquanto outro já está a caminho, numa voracidade comercial sem fim. As grandes perguntas a delinearem o seu processo de trabalho devem ser: “Que propósito tenho eu com esta obra? Que fins ela alcançará? Que benefícios o público terá com a sua publicação? Estou escrevendo, realmente, alguma coisa que valha a pena ou é apenas mais um “monte de palha” sem valor algum?
O escritor evangélico não é, também, um intermediário de “novas verdades”, “novas revelações” ou especialista em especulação teológica. Infelizmente, o que tem causado mais estrago em nosso meio são essas aberrações apresentadas como se fossem as mais novas descobertas no campo da espiritualidade e da teologia. Quantas heresias, quantos modismos, quanto sensacionalismo têm feito mal à vinha do Senhor por causa de escritores inescrupulosos e meramente comerciais! O que importa, para eles, é quanto entrou no caixa!
O escritor evangélico precisa submeter tudo quanto escreve ao crivo das Escrituras. Ela será sempre o padrão. A verdade primeira e última. É seu dever calar-se onde ela se cala e falar apenas onde ela fala. Assim, cabe-lhe perguntar a si mesmo: O que estou escrevendo é coerente com o que a Bíblia ensina? Este pensamento aqui registrado é apenas suposição pessoal ou corresponde a uma verdade escriturística? Estejamos lembrados de que tudo quanto for suposição ou pressuposto, mesmo que tenha legitimidade e coerência, como linha de raciocínio, deve configurar-se exatamente como o é, e não como respaldado pela Palavra de Deus. Paulo escreveu: "Digo eu, não o Senhor".
É óbvio que não se está discutindo aqui a linguagem. A forma de escrever é dinâmica e obedece a algumas regras para que a obra seja atraente. O escritor evangélico pode ser fiel às Escrituras e, ao mesmo tempo, saber como expressar-se para que o seu texto tenha empatia com o público. Ser bíblico não é sinônimo de escrever mal.. Muitas obras de qualidade há esquecidas nas prateleiras por causa da linguagem pesada, truncada e nada atraente. Quem escreve, precisa saber como escrever para alcançar o seu público. Mas escrever bem não é, também, sinônimo de escrever qualquer coisa.
Ao final, convém repetir o rei Salomão, que não ficou apenas na frase: “Não há limite para fazer livros”, mas acrescentou: “De tudo o que se tem ouvido, o fim é: Teme a Deus e guarda os seus mandamentos, porque este é o dever de todo o homem”, Ec 12.13. Moral da história: tudo quanto se escreve tem de produzir esse resultado.
Texto de Geremias Couto (Escritor, jornalista, conferencista, autor do livro "A Transparência da Vida Cristã", um estudo teológico-devocional sobre o Sermão do Monte, comentarista da revista "Lições Bíblicas" para a Escola Dominical, publicada pela CPAD, pastor evangélico, presidente da Omega Mission Ministry, Inc, membro da Casa de Letras Emílio Conde, editor pela CPAD da Bíblia de Estudo Pentecostal, verbete do Dicionário do Movimento Pentecostal.)
segunda-feira, 19 de maio de 2008
A IMPORTÂNCIA DA APRENDIZAGEM TEOLÓGICA NA VIDA CRISTÃ
Correr atrás do vento?
No meu dia a dia, ouço comentários e vejo o grande esforço de acadêmicos do mundo secular para concluírem seus cursos, seu empenho e dedicação, cada um com uma motivação diferente, alguns movidos pela ambição e vaidade de serem possuidores de muitos bens materiais. Também não deixa de ser uma disputa “invisível” alguém querendo ser melhor que alguém, enfim, nunca atingem a satisfação, sendo ingratos e deixando o reino de Deus em último lugar.
Sei que muitos não concordam, mas é preciso que nosso foco seja o reino de Deus. É claro que não é pecado ser rico, aliás Tiago diz que devemos trabalhar, o que é bom, para que tenhamos o que repartir com os que tiverem necessidade (Efésios4:28).
O maior sábio da humanidade, Salomão, disse “Pense bem, filho meu, atenta; não há limite para fazer livros, e o muito estudar enfado é da carne.” Eclesiastes 12:12; “De tudo o que se tem ouvido, o fim é, teme a Deus e guarda os seus mandamentos, porque este é o dever de todo o homem.” (Eclesiastes 12:13).
Se pessoas do mundo secular investem tempo e dinheiro naquilo que elas acreditam ser o mais importante na vida delas, o que nós cristãos estamos fazendo com o chamado de Jesus, em Mateus 11:29? “Tomais sobre vós o meu jugo, E APRENDEI DE MIM...”. E, ainda, no mesmo livro, capítulo 22, versículo 29, somos alertados: erramos por não conhecer as escrituras.
Meu irmão, minha irmã, não se engane, porque onde estiver o teu tesouro aí também estará o teu coração (Mateus 6:21). Buscar, em primeiro lugar, o reino de Deus não vai impedi-lo de ter uma vida sociável. Dessa forma, você irá dedicar-se mais ao plano espiritual, aprendendo e conhecendo as Escrituras Sagradas. Poderá ainda estudar Teologia e compreender os métodos de aplicação da palavra de Deus. Portanto, não fique correndo atrás do vento, é tolice, pois nunca vai conseguir alcançá-lo. Invista no Reino de Deus, que é sabedoria e investimento garantido!
Wilson Peres Antiqueira
wilson@kntjeans.com.br
Obreiros que não tÊm do que se Envergonhar
Paulo, quando escreve a sua segunda carta a Timóteo, no capítulo 2, verso 15, diz: “Procure apresentar-se a Deus aprovado, como obreiro que não tem do que se envergonhar e que maneja corretamente a Palavra da Verdade.” Com essas palavras, Paulo estava querendo dizer ao seu amado discípulo – ao mesmo tempo para nós – o quanto é importante dedicar nossas vidas àquilo que realmente tem peso eterno.
Creio que, em nossas igrejas, existem muitas pessoas que, embora tenham sido libertas da escravidão do pecado, por motivos os mais diversos, nunca chegam à terra prometida, ao propósito último de Deus. Elas vivem eternamente na periferia dos planos divinos, morrem no deserto da peregrinação sem nunca alcançar a plenitude da vida abundante por não conhecerem as promessas de Jesus. E o conhecimento dessas promessas se faz através do manejar corretamente a Palavra de Deus, como nos insta o apóstolo Paulo.
O desejo de Paulo é que todos nós cresçamos no conhecimento do Senhor. Foi movida por esse desejo de conhecer a Deus profundamente que o Senhor me trouxe à Faculdade de Teologia. Porque Ele quer que eu O conheça. Ele quer ter amizade comigo. Ele quer que nós O adoremos em Espírito e em Verdade. Digo mais: Ele quer que O adoremos em Espírito e em conhecimento.
Nesse mesmo Espírito do nosso amado apóstolo Paulo, estendo a você, leitor(a) precioso(a) e amado(a), uma convite especial: venha fazer parte deste povo que procura incansavelmente apresentar-se a Deus aprovado, como cristãos que não têm do que se envergonhar e que manejam muito bem a Palavra do Senhor. Venha fazer parte deste exército de Cristo, treinados para guerrear não contra a carne e nem contra o sangue, mas contra os principados celestiais.
Sirlene Maria Bertogna de Toledo
sbtsir@bol.com.br
Qual é o seu interesse?
O homem, por natureza, é curioso. Está em constante busca pelo novo. Novos desafios, novas descobertas que, talvez, possam mudar o mundo, ou apenas melhorá-lo. O corpo humano, por exemplo, é algo fascinante e está continuamente sendo estudado. São investigados os mistérios do cérebro, de onde vêm as emoções, a diferença entre os sexos, afinal há inúmeras coisas que precisam ser reveladas. Uma das descobertas mais recentes, muito comentada e superestimada, é as “células tronco”. Fala-se de seus benefícios e malefícios, uns são contra, outras a favor. Há muitas pressuposições a respeito acreditando-se que seu uso trará qualidade de vida para as pessoas beneficiadas com o tratamento.
Há um grupo de pessoas, os da cidade de Beréia, relatado em Atos 17, que, não fugindo à regra, tinha certo tipo de curiosidade. A diferença é que o interesse dos bereanos não os levaria apenas à melhor qualidade de vida, ao contrário, algumas dificuldades surgiram. Entretanto, a grande questão é que, independente dos percalços, a veemência dos bereanos os levaria à vida eterna, uma vez que examinavam as Escrituras Sagradas!
Nesse mundo de novas descobertas, novo desafios, há uma pergunta que permeia meu pensamento: Por que há tão pouco interesse em conhecer o livro mais antigo e, pelo que dizem as reportagens, o mais vendido, a Bíblia Sagrada? Será devido à falta de “rendimento” futuro que possa nos trazer?
Certa vez, ao conversar com uma pessoa, eu lhe falava sobre a importância do estudo teológico na vida do cristão e, com isso, tentava incentivá-la. De repente, no meio do assunto, surge uma pergunta que me deixou admirada. Ela gostaria de saber no que poderia trabalhar depois de formada (nesse caso, ganhar dinheiro). Confesso que fiquei sem resposta, pasma com a visão daquela pessoa. O importante para ela era o lucro que obteria com o conhecimento adquirido. Algo que jamais havia pensado. Pois meu objetivo, com o estudo teológico, é conhecer a riqueza, a preciosidade revelada na Bíblia Sagrada.
O fato é que um livro pode até ser o mais vendido, porém isso não significa ser o mais lido. Muitos a têm apenas como um “amuleto da sorte”, isto é, basta deixá-la aberta em um determinado salmo e isso lhes parece ser o suficiente para protegê-los ou salvá-los de algo terrível. Deixam o livro sagrado aberto para dar aos outros a impressão de que são devotos, espirituais, religiosos. Mas isso apenas não basta! Outros, no entanto, a têm com demasiada reverência ao ponto de acreditar que a Bíblia não pode ser riscada e, muito menos, lida em qualquer lugar e por qualquer um. Isso também não basta! Ainda, para certas pessoas, ela causa terror, acreditando-se que, ao lerem, podem ficar loucos. Loucos!? Loucura seria não estudá-la!
O estudo da Palavra de Deus pode ser comparado ao sal. Ele dá sabor! Quanto mais aprendo de Deus, mais a leitura da Bíblia se torna rica e prazerosa. Dá sede, pois quanto mais conheço e compreendo as verdades ali contidas descubro que o estudo é vivo e nunca cessa. E assim, como o sal conserva, o contínuo aprendizado nos conservará. Conservará-nos na doutrina de Cristo para que “não sejamos levados de um lado para outro, por todo vento de doutrina, pela esperteza de homens que induzem ao erro” (Efésios 4:14).
Essa tem sido minha experiência como estudante de teologia. O estudo tem me dado ainda mais sede de conhecimento, sabor às minhas leituras e também tem conservado a minha fé. O estudo tem me ensinado a ter cuidado com o que ouço, a examinar e a ter prudência, a discernir os enganos das falsas doutrinas, que estão cada vez maiores e alastrando-se cada vez mais. O estudo sério e com responsabilidade nos afasta das heresias, dos falsos mestres da atualidade. O oposto também é real. É o descaso que arrasta multidões a seguirem o que massageia o ego, sem se importarem com o que está sendo pregado, se é verdadeiro ou não.
A grande questão é que, por mais descobertas que o homem faça para melhorar a vida da humanidade, jamais poderá evitar a morte. Nada faz sentido se a eternidade com Cristo não estiver garantida. Descobrimos de onde vem esta garantia nas Escrituras Sagradas. Que as pessoas possam despertar para o conhecimento e o desejo por um alimento mais sólido, pois sem esse alimento tornamo-nos anêmicos, apáticos e sem expressão nesse mundo.
Ah! Bereanos! O que fizemos com seus exemplos? É preciso voltar e aprender com os bereanos...
Cristiane Ponte
cristiane@imcm.org.br
Opção ou necessidade humana?
“Conhecer e prosseguir em conhecer ao Senhor” (Oséias 6:3) é uma das ordenanças deixadas por Deus. O mandamento revela uma atitude pessoal de não somente conhecer ao Senhor, mas, ainda, como conduta diária e constante, prosseguir em conhecê-lo.
As escrituras são inspiradas por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça (II Timóteo 3:16). Conhecer as escrituras nos deixa preparados para enfrentar as lutas e desafios da vida. Por outro lado, temos a promessa do Senhor que jamais seremos desamparados se o buscarmos (Salmo 9:10).
No entanto, não é objetivo da Palavra de Deus provocar falatórios inúteis e profanos, bem como gerar contradições do saber (I Timóteo 6:20). E para aqueles que se sentem incapazes de compreender o real significado das Escrituras, vale a pena lembrar que é Deus quem nos dá sabedoria (Provérbios 2:6). É a Ele, portanto, que devemos pedi-la para que, livremente e de boa vontade, nos seja concedida (Tiago 1:5).
Sendo assim, as promessas do Senhor se cumprirão em nossas vidas quando nos colocarmos em Sua presença, prontos para conhecê-lo e ouvi-lo. O conhecimento acerca da verdade bíblica é, pois, uma necessidade humana, a fim de que sejamos libertos do pecado e cheguemos ao pleno conhecimento da palavra da salvação.
Hélintha Coeto Neitzke
helintha@yahoo.com.b
A mãe das heresias
Observamos, ao nosso redor, que existe um big bang evangélico no Brasil e, em alguns lugares do mundo, há igrejas para todos os gostos: para quem gosta de dançar, pular, gritar, cair na gargalhada, rolar pelo chão, cair na graça, para quem deseja melhorar a sua vida financeira e até expulsar os seus encostos. Mas quantidade de episódios nas igrejas não é sinônimo de qualidade na vida cristã. Vivemos, assim, uma verdadeira dicotomia cristã. Estamos perdendo nossa verdadeira identidade. Onde estão nossas crenças? Nossas raízes?
As pessoas estão crendo e aceitando qualquer coisa, desde que isso lhes proporcione bem estar. O emocionalismo e experiências das mais diversas, como as exemplificadas acima, têm sido fatores preponderantes na vida das pessoas que alegam que essas experiências têm o respaldo bíblico. Mas será que isto é mesmo verdade?
Sejamos crentes bereanos, como bem ministrou Paulo Romeiro em seu livro “Evangélicos em crise”: “Está na hora de deixar de lado toda ingenuidade e passar a desenvolver um ceticismo positivo e saudável. Tem gente disposta a crer em qualquer coisa, qualquer história ou testemunho, sem qualquer questionamento.”
Cremos que a Bíblia é, inquestionavelmente, a Palavra de Deus, divinamente inspirada para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça (2 Timóteo 3:16). Mas, quando mal usada, mal interpretada ou utilizada com más intenções, “texto fora de contexto por puro pretexto”, ela se torna a mãe das heresias.
Temos a convicção de que a Bíblia merece absoluta confiança como revelação de Deus, porém isto não garante, necessariamente, a compreensão exata dessa revelação por parte de quem a lê. Muitos líderes têm levado multidões a uma mediocridade espiritual. Muitos são teólogos renomados e conhecidos na mídia, o que me leva a crer que somente teologia não basta, teologia não impede que tais barbaridades aconteçam no meio cristão.
Faz parte integrante da fé evangélica a convicção de que a Igreja nada pode acrescentar ou retirar da Bíblia e de que todas as suas doutrinas devem ser testadas pela sua fidelidade às escrituras. No entanto, a teologia, somada a uma mente e um coração tementes a Deus, é apta para capacitar e preparar o cristão a desfrutar e a ensinar as grandes verdades contidas na Palavra de Deus.
Certamente, preciosas são estas palavras relatadas no livro dos Salmos 119:105: “Lâmpada para os meus pés é tua Palavra, e luz para o meu caminho”.
Vanderlei S. Mazzer
vanderleimazzer@wnet.com.br
No meu dia a dia, ouço comentários e vejo o grande esforço de acadêmicos do mundo secular para concluírem seus cursos, seu empenho e dedicação, cada um com uma motivação diferente, alguns movidos pela ambição e vaidade de serem possuidores de muitos bens materiais. Também não deixa de ser uma disputa “invisível” alguém querendo ser melhor que alguém, enfim, nunca atingem a satisfação, sendo ingratos e deixando o reino de Deus em último lugar.
Sei que muitos não concordam, mas é preciso que nosso foco seja o reino de Deus. É claro que não é pecado ser rico, aliás Tiago diz que devemos trabalhar, o que é bom, para que tenhamos o que repartir com os que tiverem necessidade (Efésios4:28).
O maior sábio da humanidade, Salomão, disse “Pense bem, filho meu, atenta; não há limite para fazer livros, e o muito estudar enfado é da carne.” Eclesiastes 12:12; “De tudo o que se tem ouvido, o fim é, teme a Deus e guarda os seus mandamentos, porque este é o dever de todo o homem.” (Eclesiastes 12:13).
Se pessoas do mundo secular investem tempo e dinheiro naquilo que elas acreditam ser o mais importante na vida delas, o que nós cristãos estamos fazendo com o chamado de Jesus, em Mateus 11:29? “Tomais sobre vós o meu jugo, E APRENDEI DE MIM...”. E, ainda, no mesmo livro, capítulo 22, versículo 29, somos alertados: erramos por não conhecer as escrituras.
Meu irmão, minha irmã, não se engane, porque onde estiver o teu tesouro aí também estará o teu coração (Mateus 6:21). Buscar, em primeiro lugar, o reino de Deus não vai impedi-lo de ter uma vida sociável. Dessa forma, você irá dedicar-se mais ao plano espiritual, aprendendo e conhecendo as Escrituras Sagradas. Poderá ainda estudar Teologia e compreender os métodos de aplicação da palavra de Deus. Portanto, não fique correndo atrás do vento, é tolice, pois nunca vai conseguir alcançá-lo. Invista no Reino de Deus, que é sabedoria e investimento garantido!
Wilson Peres Antiqueira
wilson@kntjeans.com.br
Obreiros que não tÊm do que se Envergonhar
Paulo, quando escreve a sua segunda carta a Timóteo, no capítulo 2, verso 15, diz: “Procure apresentar-se a Deus aprovado, como obreiro que não tem do que se envergonhar e que maneja corretamente a Palavra da Verdade.” Com essas palavras, Paulo estava querendo dizer ao seu amado discípulo – ao mesmo tempo para nós – o quanto é importante dedicar nossas vidas àquilo que realmente tem peso eterno.
Creio que, em nossas igrejas, existem muitas pessoas que, embora tenham sido libertas da escravidão do pecado, por motivos os mais diversos, nunca chegam à terra prometida, ao propósito último de Deus. Elas vivem eternamente na periferia dos planos divinos, morrem no deserto da peregrinação sem nunca alcançar a plenitude da vida abundante por não conhecerem as promessas de Jesus. E o conhecimento dessas promessas se faz através do manejar corretamente a Palavra de Deus, como nos insta o apóstolo Paulo.
O desejo de Paulo é que todos nós cresçamos no conhecimento do Senhor. Foi movida por esse desejo de conhecer a Deus profundamente que o Senhor me trouxe à Faculdade de Teologia. Porque Ele quer que eu O conheça. Ele quer ter amizade comigo. Ele quer que nós O adoremos em Espírito e em Verdade. Digo mais: Ele quer que O adoremos em Espírito e em conhecimento.
Nesse mesmo Espírito do nosso amado apóstolo Paulo, estendo a você, leitor(a) precioso(a) e amado(a), uma convite especial: venha fazer parte deste povo que procura incansavelmente apresentar-se a Deus aprovado, como cristãos que não têm do que se envergonhar e que manejam muito bem a Palavra do Senhor. Venha fazer parte deste exército de Cristo, treinados para guerrear não contra a carne e nem contra o sangue, mas contra os principados celestiais.
Sirlene Maria Bertogna de Toledo
sbtsir@bol.com.br
Qual é o seu interesse?
O homem, por natureza, é curioso. Está em constante busca pelo novo. Novos desafios, novas descobertas que, talvez, possam mudar o mundo, ou apenas melhorá-lo. O corpo humano, por exemplo, é algo fascinante e está continuamente sendo estudado. São investigados os mistérios do cérebro, de onde vêm as emoções, a diferença entre os sexos, afinal há inúmeras coisas que precisam ser reveladas. Uma das descobertas mais recentes, muito comentada e superestimada, é as “células tronco”. Fala-se de seus benefícios e malefícios, uns são contra, outras a favor. Há muitas pressuposições a respeito acreditando-se que seu uso trará qualidade de vida para as pessoas beneficiadas com o tratamento.
Há um grupo de pessoas, os da cidade de Beréia, relatado em Atos 17, que, não fugindo à regra, tinha certo tipo de curiosidade. A diferença é que o interesse dos bereanos não os levaria apenas à melhor qualidade de vida, ao contrário, algumas dificuldades surgiram. Entretanto, a grande questão é que, independente dos percalços, a veemência dos bereanos os levaria à vida eterna, uma vez que examinavam as Escrituras Sagradas!
Nesse mundo de novas descobertas, novo desafios, há uma pergunta que permeia meu pensamento: Por que há tão pouco interesse em conhecer o livro mais antigo e, pelo que dizem as reportagens, o mais vendido, a Bíblia Sagrada? Será devido à falta de “rendimento” futuro que possa nos trazer?
Certa vez, ao conversar com uma pessoa, eu lhe falava sobre a importância do estudo teológico na vida do cristão e, com isso, tentava incentivá-la. De repente, no meio do assunto, surge uma pergunta que me deixou admirada. Ela gostaria de saber no que poderia trabalhar depois de formada (nesse caso, ganhar dinheiro). Confesso que fiquei sem resposta, pasma com a visão daquela pessoa. O importante para ela era o lucro que obteria com o conhecimento adquirido. Algo que jamais havia pensado. Pois meu objetivo, com o estudo teológico, é conhecer a riqueza, a preciosidade revelada na Bíblia Sagrada.
O fato é que um livro pode até ser o mais vendido, porém isso não significa ser o mais lido. Muitos a têm apenas como um “amuleto da sorte”, isto é, basta deixá-la aberta em um determinado salmo e isso lhes parece ser o suficiente para protegê-los ou salvá-los de algo terrível. Deixam o livro sagrado aberto para dar aos outros a impressão de que são devotos, espirituais, religiosos. Mas isso apenas não basta! Outros, no entanto, a têm com demasiada reverência ao ponto de acreditar que a Bíblia não pode ser riscada e, muito menos, lida em qualquer lugar e por qualquer um. Isso também não basta! Ainda, para certas pessoas, ela causa terror, acreditando-se que, ao lerem, podem ficar loucos. Loucos!? Loucura seria não estudá-la!
O estudo da Palavra de Deus pode ser comparado ao sal. Ele dá sabor! Quanto mais aprendo de Deus, mais a leitura da Bíblia se torna rica e prazerosa. Dá sede, pois quanto mais conheço e compreendo as verdades ali contidas descubro que o estudo é vivo e nunca cessa. E assim, como o sal conserva, o contínuo aprendizado nos conservará. Conservará-nos na doutrina de Cristo para que “não sejamos levados de um lado para outro, por todo vento de doutrina, pela esperteza de homens que induzem ao erro” (Efésios 4:14).
Essa tem sido minha experiência como estudante de teologia. O estudo tem me dado ainda mais sede de conhecimento, sabor às minhas leituras e também tem conservado a minha fé. O estudo tem me ensinado a ter cuidado com o que ouço, a examinar e a ter prudência, a discernir os enganos das falsas doutrinas, que estão cada vez maiores e alastrando-se cada vez mais. O estudo sério e com responsabilidade nos afasta das heresias, dos falsos mestres da atualidade. O oposto também é real. É o descaso que arrasta multidões a seguirem o que massageia o ego, sem se importarem com o que está sendo pregado, se é verdadeiro ou não.
A grande questão é que, por mais descobertas que o homem faça para melhorar a vida da humanidade, jamais poderá evitar a morte. Nada faz sentido se a eternidade com Cristo não estiver garantida. Descobrimos de onde vem esta garantia nas Escrituras Sagradas. Que as pessoas possam despertar para o conhecimento e o desejo por um alimento mais sólido, pois sem esse alimento tornamo-nos anêmicos, apáticos e sem expressão nesse mundo.
Ah! Bereanos! O que fizemos com seus exemplos? É preciso voltar e aprender com os bereanos...
Cristiane Ponte
cristiane@imcm.org.br
Opção ou necessidade humana?
“Conhecer e prosseguir em conhecer ao Senhor” (Oséias 6:3) é uma das ordenanças deixadas por Deus. O mandamento revela uma atitude pessoal de não somente conhecer ao Senhor, mas, ainda, como conduta diária e constante, prosseguir em conhecê-lo.
As escrituras são inspiradas por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça (II Timóteo 3:16). Conhecer as escrituras nos deixa preparados para enfrentar as lutas e desafios da vida. Por outro lado, temos a promessa do Senhor que jamais seremos desamparados se o buscarmos (Salmo 9:10).
No entanto, não é objetivo da Palavra de Deus provocar falatórios inúteis e profanos, bem como gerar contradições do saber (I Timóteo 6:20). E para aqueles que se sentem incapazes de compreender o real significado das Escrituras, vale a pena lembrar que é Deus quem nos dá sabedoria (Provérbios 2:6). É a Ele, portanto, que devemos pedi-la para que, livremente e de boa vontade, nos seja concedida (Tiago 1:5).
Sendo assim, as promessas do Senhor se cumprirão em nossas vidas quando nos colocarmos em Sua presença, prontos para conhecê-lo e ouvi-lo. O conhecimento acerca da verdade bíblica é, pois, uma necessidade humana, a fim de que sejamos libertos do pecado e cheguemos ao pleno conhecimento da palavra da salvação.
Hélintha Coeto Neitzke
helintha@yahoo.com.b
A mãe das heresias
Observamos, ao nosso redor, que existe um big bang evangélico no Brasil e, em alguns lugares do mundo, há igrejas para todos os gostos: para quem gosta de dançar, pular, gritar, cair na gargalhada, rolar pelo chão, cair na graça, para quem deseja melhorar a sua vida financeira e até expulsar os seus encostos. Mas quantidade de episódios nas igrejas não é sinônimo de qualidade na vida cristã. Vivemos, assim, uma verdadeira dicotomia cristã. Estamos perdendo nossa verdadeira identidade. Onde estão nossas crenças? Nossas raízes?
As pessoas estão crendo e aceitando qualquer coisa, desde que isso lhes proporcione bem estar. O emocionalismo e experiências das mais diversas, como as exemplificadas acima, têm sido fatores preponderantes na vida das pessoas que alegam que essas experiências têm o respaldo bíblico. Mas será que isto é mesmo verdade?
Sejamos crentes bereanos, como bem ministrou Paulo Romeiro em seu livro “Evangélicos em crise”: “Está na hora de deixar de lado toda ingenuidade e passar a desenvolver um ceticismo positivo e saudável. Tem gente disposta a crer em qualquer coisa, qualquer história ou testemunho, sem qualquer questionamento.”
Cremos que a Bíblia é, inquestionavelmente, a Palavra de Deus, divinamente inspirada para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça (2 Timóteo 3:16). Mas, quando mal usada, mal interpretada ou utilizada com más intenções, “texto fora de contexto por puro pretexto”, ela se torna a mãe das heresias.
Temos a convicção de que a Bíblia merece absoluta confiança como revelação de Deus, porém isto não garante, necessariamente, a compreensão exata dessa revelação por parte de quem a lê. Muitos líderes têm levado multidões a uma mediocridade espiritual. Muitos são teólogos renomados e conhecidos na mídia, o que me leva a crer que somente teologia não basta, teologia não impede que tais barbaridades aconteçam no meio cristão.
Faz parte integrante da fé evangélica a convicção de que a Igreja nada pode acrescentar ou retirar da Bíblia e de que todas as suas doutrinas devem ser testadas pela sua fidelidade às escrituras. No entanto, a teologia, somada a uma mente e um coração tementes a Deus, é apta para capacitar e preparar o cristão a desfrutar e a ensinar as grandes verdades contidas na Palavra de Deus.
Certamente, preciosas são estas palavras relatadas no livro dos Salmos 119:105: “Lâmpada para os meus pés é tua Palavra, e luz para o meu caminho”.
Vanderlei S. Mazzer
vanderleimazzer@wnet.com.br
Aos pés de Jesus
“Entretanto, pouco é necessário ou mesmo uma só coisa; Maria, pois escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada”. (Lc 10:42).
Lucas registrou, intencionalmente, que Maria se sentou aos pés de Jesus e ouviu suas palavras, numa época em que era fora dos padrões uma mulher ser ensinada, principalmente por um rabino respeitado.
“Entretanto, pouco é necessário ou mesmo uma só coisa; Maria, pois escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada”. (Lc 10:42).
Lucas registrou, intencionalmente, que Maria se sentou aos pés de Jesus e ouviu suas palavras, numa época em que era fora dos padrões uma mulher ser ensinada, principalmente por um rabino respeitado.
Quando Maria foi criticada, o próprio Senhor Jesus a elogiou, dizendo que ela havia escolhido “a boa parte” (Lc 10:42).
Maria sabia que a palavra de Jesus era uma oportunidade extraordinária demais para dar preferência a outros tipos de preocupações.
Maria de Betânia destaca-se entre as primeiras mulheres da Era Cristã como alguém que buscou “estudar teologia” aos pés de Jesus. Quando o Senhor chama uma pessoa para trabalhar na obra, ela deve dedicar-se ao seu treinamento com a mesma obstinação com se dedicaria a qualquer outra vocação. Quando nos esforçamos para alcançar integridade intelectual e excelência acadêmica, com o coração inteiramente dedicado ao Senhor, Deus é glorificado, e este é o objetivo principal do ensino teológico.
Não precisamos nos matricular num seminário para sentarmos aos pés de Jesus e ouvir a sua Palavra, mas a educação teológica formal, que proporciona estudo sistemático da natureza de Deus e do modo como Ele se relaciona conosco, pode nos ajudar a aperfeiçoar e ampliar nosso ministério.
Saibamos, portanto, fazer bem as escolhas dentro da vontade de Deus. Tomar grandes decisões se tornará muito mais simples se o buscarmos diariamente em oração, devocional e estudo sistemático.
Graciela Selau Maciel
Graciela Selau Maciel
APÓLOGOS, FÁBULAS E ALEGORIAS
A Verdade e a Mentira
Discutiam entre si a Verdade e a Mentira:
Toda imponente, dizia a Mentira:
- Eu tenho um dia por ano em minha homenagem. E você, Verdade? Tem um dia que te homenageiam?
Sem que a Verdade pudesse responder, continuou a mentira:
- Acontecerá, na cidade, um grande concurso de mentiras, e a que for considerada a melhor de todas receberá um prêmio surpresa. Concurso moleza, pois sou perito nisso. Faço, inclusive, parte de muitos negócios que se fazem no mundo e dou muito lucro aos meus adeptos.
-Você se orgulha disso, Mentira? Você é totalmente contra o amor, porque o Amor e a Mentira não andam juntos. Eu, a Verdade, sei respeitar as pessoas e, por isso, também mereço respeito. Faço parte do amor, da integridade e não causo dano a ninguém.
- Mas elas preferem a mim! Sou mais vantajosa que você, dona Verdade.
- Aí que você se engana, senhora Mentira. Quem prevalece sou eu, pois, como diz o ditado popular, “Mentira tem perna curta”. Você não vai muito longe e, por conta disso, já foi desmascarada muitas vezes.
A Mentira, com seu cinismo peculiar, responde;
- Não importa! Sempre vou existir... Posso ter a perna curta, mas tenho o nariz comprido, e gosto dele assim! Quanto mais comprido, melhor!
E, no concurso das mentiras, o vencedor não levou o prêmio, porque o prêmio era uma mentira.
Pois é, a Mentira provou do próprio veneno...
Wilson Peres Antiqueira
wilson@kntjeans.com.br
Quem é mais importante?
Em uma cozinha, alimentos discutiam entre si. Queriam saber quem era o mais importante para que o bolo fosse feito e ficasse saboroso.
Disse a farinha:
- Seus tolinhos, todos tontinhos! Não há dúvidas de que nenhum de vocês é mais importante do que eu, pois sou eu quem dá o sustento ao bolo, deixando-o resistente.
O leite retrucou:
- Onde já se viu, um monte de pó branco dizendo ser a tal. Com certeza, sou eu o mais importante. Se não fosse por mim, o bolo ficaria pura poeira branca. Sou eu quem deixa o bolo molhadinho.
Os ovos também entraram na discussão. Diziam:
- É claro que somos nós os mais importantes. Se não fossemos nós, não teria aquele tchan no bolo. Damos a ele um toque especial e nutritivo.
O açúcar não ficou fora dessa:
- Esqueceram-se de que sou em quem dá sabor ao bolo? Graças a mim, o bolo ganha aquele gosto docinho e único.
O óleo não perdeu tempo:
- Esperem aí! Se não fosse por mim, bolo nenhum ficaria cremoso. Sou indispensável!
O fermento, por sua vez, não ficou de fora:
-É claro que sou eu quem manda aqui, o mais importante! Sou eu quem dá volume à massa do bolo, deixando-o grande e leve. Sem mim, o bolo seria duro e pesado como um tijolo.
E assim foi o dia todo, até que os talheres entraram no meio da discussão:
- Quem é que meche a massa do bolo e o corta quando já está pronto para comer?
A batedeira contestou:
- Eu sou muito mais rápida e apropriada para preparar a massa.
E, também, as fôrmas não deixaram por menos:
- Nós modelamos o bolo da forma que quisermos.
De repente, todos ficaram em silêncio...
Ouviu-se apenas a voz do velho e sábio fogão.
- Ahhhhhhhh! Uma coisa direi a vocês e agora sabereis quem é o mais importante. Estão todos certos em seus argumentos, mas o que nos dá a resposta não são os contentos, e, sim, a gratidão que nos leva à união. O que importa não é quem de vocês é o mais importante, mas, sim, que, se estiverem unidos, não serão apenas zumbidos. Bolo não é farinha, bolo não é leite, também não é composto só por ovos. Bolo não é açúcar, não é óleo, não é fermento ou coisa e tal. Bolo é simplesmente bolo. É a união de todos vocês, sem esquecer das fôrmas, talheres e batedeira que são usados, e de mim, pois sou eu, ainda com o auxílio do fósforo, do fogo e do gás, quem os assa, finalizando, assim, um verdadeiro bolo e não uma simples mistura de ingredientes que independem um do outro para serem completos. Sem vocês, eu também não teria utilidade. Dizia um velho amigo meu, mais sábio do que eu: o que importa não é quem é o mais importante, mas sim que a união faz a força, ou, no nosso caso, a união faz o bolo.
Adriano Henrique Dos Santos
adrian_henri@hotmail.com
A Caneta e o Lápis
Certa vez, disse a Caneta para o Lápis:
- Sou mais poderosa que você!
- Por que você se acha mais poderosa que eu?!
- Porque, por onde passo, minha escrita é eterna.
- Mas isso eu também faço!
- Nada disso, senhor Lápis. Sua escrita, com o tempo, é facilmente apagada, enquanto que a minha é duradoura.
- Na verdade, senhora Caneta, o que importa é que realizamos a mesma função, qual seja, imprimir idéias.
- Mas eu, sim, tenho um grande diferencial: sou resistente ao tempo.
- Sinceramente, entendo que o mais importante é que contribuímos para manter as lembranças das pessoas. Não importa quanto tempo conseguimos fazê-lo, mas se, na prática, fomos úteis de alguma forma.
- Você se esquece de que, muitas vezes, sua escrita é rapidamente desfeita por uma borracha, de forma que ninguém se dá conta de que você um dia sequer existiu?
- Mas... mas... Quer saber de uma coisa? Eu não posso exigir que as pessoas, quando me utilizam, que o façam de maneira irretratável, pois isso está fora do meu objetivo, o qual consiste em permitir que as pessoas tenham novas idéias, colocando-as no papel, exatamente no lugar daquelas que, no passado, tiveram.
- É isso mesmo que critico, a sua instabilidade, pois eu, quando em ação, não sou esquecida, deixo minha impressão para a eternidade, enquanto que você não pode garantir que as pessoas se lembrem de sua escrita pelo resto de suas vidas.
- Vou te contar onde sou mais eficiente que você. Posso não ser tão duradouro quanto você e até mesmo deixar de existir, mas levo comigo uma grande vantagem: não guardo, eternamente, as mágoas e tristezas que as pessoas nutrem umas pelas outras. Ao contrário, permito que um dia possam se reconciliar. Já você, minha cara amiga Caneta, permanece com sua escrita cravada na mente das pessoas, não permitindo que a mágoa e as tristes lembranças sejam deletadas.
MORAL DA HISTÓRIA: Muitas vezes, agimos como uma caneta. Marcamos, para sempre, a vida das pessoas com palavras ásperas e duras, deixando-lhe marcas irreversíveis. Outra vezes, conseguimos ser como um lápis. Marcamos a vida das pessoas, até mesmo com palavras ásperas, mas agimos no sentido de apagar os efeitos e as tristes lembranças que essas palavras causaram. Como lápis, reconhecemos o erro, passamos a nossa vida a limpo e reescrevemos uma nova história!
Hélintha Coeto Neitzke
helintha@yahoo.com.br
Amizade Verdadeira
Moravam, em uma lata, três grãos de feijão que partilhavam um mesmo sonho: poder sair daquela lata e serem plantados em um imenso e lindo campo, onde pudessem criar raízes e se transformarem em um grande pé de feijão.
Durante um jantar, com muitos convidados, entrou pela cozinha porta adentro, todo esbaforido, falando alto com seus ajudantes, o cozinheiro chefe:
- Depressa! Depressa! Vocês não estão vendo que os convidados já estão chegando e vocês aí de tró-ló-ló?
O ajudante do cozinheiro, assustado com os gritos do seu chefe, pegou depressa a lata de feijão para jogá-los dentro do caldeirão de água fervente. Ao virar a lata, alguns feijões conseguiram fugir, pulando na beirada do caldeirão e depois no chão. Entre eles estavam os três amigos feijões sonhadores: o feijão preto, mais conhecido pelos amigos de Feijó; o feijão rosa, Rosadinho para os íntimos; e o carioca, vulgo Carioquinha.
Reunidos, no canto da cozinha, conversavam:
- Ufa! Essa foi por pouco! - disse Feijó, branco de medo.
- E agora!? O que vamos fazer para sair sem sermos vistos? – falou Rosadinho, apavorado.
- Deixa de ser bobo! – retrucou Carioquinha - É só esperar a porta se abrir e sair correndo. Não vejo a hora de chegar ao campo e sentir o cheirinho de terra molhada pelo orvalho da manhã.
Pobres feijões, mal sabiam eles que teriam de enfrentar uma verdadeira batalha para poder chegar ao tão sonhado campo.
Quando a porta se abriu, saíram correndo como planejado.
- O que é isso? – perguntou Carioquinha.
- Isso o quê? – disse Rosadinho.
- Esse negócio preto, achatado e comprido na sua frente. – respondeu Carioquinha. Além de Rosadinho é cego também?
- Ah! Isso?! – disse Rosadinho, tocando com o dedo – Viiixi! Além de grande, é muito, muito quente.
- Deixem de ser bobos! Não estão vendo?! Isto é um asfalto, e ele não é quente, está quente, por causa do calor do sol. – comentou Feijó.
- Ah, tá! E agora, doutor Feijó, como vamos atravessar isso?! – questionou Carioquinha, indignado. – Escapamos de ser cozidos naquele caldeirão para sermos fritos no asfalto quente?!
- Ai, ai, ai... A inteligência de vocês me deixa louco.
- Rosadinho! Ele nos chamou de burros!
- Calma, Carioquinha, releva... releva... Você sabe que o Feijó sempre foi assim, e não é agora que vão brigar.
- Já que você é tão sabichão, então me diga, doutor Feijó, como vamos atravessar esse asfalto que mais parece uma frigideira gigante? – quis saber Carioquinha com seu ar de deboche.
- É simples. É só esperar o sol se pôr. Ao anoitecer, o asfalto se esfriará e, então, atravessaremos.
- É, tenho que admitir. Você tem razão Feijó. Você é mesmo muito inteligente. – falou Carioquinha, todo envergonhado.
- Não! Não é uma questão de inteligência. É que eu consigo manter a calma diante das situações difíceis. Sem o autocontrole, não conseguimos raciocinar, entramos em pânico, e não conseguimos ver a solução que está bem à nossa frente.
- Ai, ai... Como é bom termos amigos. – interrompeu Rosadinho, suspirando por ver Feijó e Carioquinha, seus melhores amigos, fazendo as pazes.
- Amizade é isso mesmo Rosadinho. Podemos nos desentender de vez em quando, mas os verdadeiros amigos se perdoam e continuam se amando e aceitando o outro do jeito que ele é e não pelo que ele faz. Não é mesmo Carioquinha?
- É... Você tem razão Feijó.
Ao anoitecer, os três amigos atravessaram o asfalto que já não estava mais quente. E, assim, os três conseguiram chegar ao campo que eles tanto almejavam. Lá puderam realizar o sonho que juntos haviam sonhado.
Enquanto isso, os demais feijões que também conseguiram fugir da panela, com medo de serem vistos, decidiram ficar parados como estátuas exatamento no lugar onde caíram. Inesperadamente, foram recolhidos pelas mãos hábeis do cozinheiro que os colocou de volta na panela. Os feijões, medrosos e sem iniciativa, foram literalmente fervidos e, pasmem, não entenderam o porquê dessa má sorte.
Sirlene Maria Bertogna de Toledo
sbtsir@bol.com.br
Peso de Glória
Uma sentença.
Um dia glorioso.
Um dia marcado na história da humanidade, esperado desde o princípio (Gênesis 3:15)
Nunca imaginei que poderia desempenhar um papel tão importante. carregar um peso de glória. Nunca houve peso maior que esse.
Porém, antes de carregar o peso de glória fui carregado pelo Rei da glória.
Parecia o fim. Não havia cavalos e honras para Ele. Como sempre, não foi como o mundo imaginava que seria. Seu redentor não veio coberto de majestade.
O lugar da caveira se viu transformado no lugar de onde fluiu rios de águas vivas, de águas eternas. Eu e meus amigos, apesar de coadjuvantes, desempenhamos papel fundamental naquele temível e maravilhoso dia. Observamos tudo e fomos os únicos companheiros dEle naquele momento de agonia e de dor. A Cruz, os Cravos e os Espinhos.
Os cravos mantinham seu corpo moído e ensangüentado perto de mim. Juntos conseguimos manter seus braços abertor para que você sempre se lembrasse de como Ele espera por você. A Corôa, minha amiga, esteve ali também. Ferindo o rosto da verdade enquanto se derramava o sangue da justiça.
"Eli, Eli, lema sabactani?" (Mateus 27:46)
Às três da tarde, fomos seus únicos companheiros. Nem mesmo Seu amado Pai pode estar presente ali. Os pecados, as dores, a culpa, a vergonha estavam todos ali. A santidade se afastou, o Santo se fez maldição.
Até hoje sou lembrada, conhecida e anunciada. O agente de morte se transformou no agente de vida. O símbolo da condenação se revertera em símbolo de salvação. Muitos me idolatram, usam-me como amuleto da sorte ou proteção. Mas nao quero ser lembrada assim. Sei que tenho valor, pois tudo o que Ele toca se torna precioso. Até mesmo o que não damos a menor importância. Somente um toque e a cura acontece. Somente um toque e a tristeza desaparece.
Ele me tocou e eternamente serei lembrada. Ele me tocou e o meu desígnio mudou. Deixe ser tocado, pois a sua vida Ele quer transformar.
Assinado: a Cruz de Cristo
Giselle Paulino da Silva
giseli83@yahoo.com.br
Discutiam entre si a Verdade e a Mentira:
Toda imponente, dizia a Mentira:
- Eu tenho um dia por ano em minha homenagem. E você, Verdade? Tem um dia que te homenageiam?
Sem que a Verdade pudesse responder, continuou a mentira:
- Acontecerá, na cidade, um grande concurso de mentiras, e a que for considerada a melhor de todas receberá um prêmio surpresa. Concurso moleza, pois sou perito nisso. Faço, inclusive, parte de muitos negócios que se fazem no mundo e dou muito lucro aos meus adeptos.
-Você se orgulha disso, Mentira? Você é totalmente contra o amor, porque o Amor e a Mentira não andam juntos. Eu, a Verdade, sei respeitar as pessoas e, por isso, também mereço respeito. Faço parte do amor, da integridade e não causo dano a ninguém.
- Mas elas preferem a mim! Sou mais vantajosa que você, dona Verdade.
- Aí que você se engana, senhora Mentira. Quem prevalece sou eu, pois, como diz o ditado popular, “Mentira tem perna curta”. Você não vai muito longe e, por conta disso, já foi desmascarada muitas vezes.
A Mentira, com seu cinismo peculiar, responde;
- Não importa! Sempre vou existir... Posso ter a perna curta, mas tenho o nariz comprido, e gosto dele assim! Quanto mais comprido, melhor!
E, no concurso das mentiras, o vencedor não levou o prêmio, porque o prêmio era uma mentira.
Pois é, a Mentira provou do próprio veneno...
Wilson Peres Antiqueira
wilson@kntjeans.com.br
Quem é mais importante?
Em uma cozinha, alimentos discutiam entre si. Queriam saber quem era o mais importante para que o bolo fosse feito e ficasse saboroso.
Disse a farinha:
- Seus tolinhos, todos tontinhos! Não há dúvidas de que nenhum de vocês é mais importante do que eu, pois sou eu quem dá o sustento ao bolo, deixando-o resistente.
O leite retrucou:
- Onde já se viu, um monte de pó branco dizendo ser a tal. Com certeza, sou eu o mais importante. Se não fosse por mim, o bolo ficaria pura poeira branca. Sou eu quem deixa o bolo molhadinho.
Os ovos também entraram na discussão. Diziam:
- É claro que somos nós os mais importantes. Se não fossemos nós, não teria aquele tchan no bolo. Damos a ele um toque especial e nutritivo.
O açúcar não ficou fora dessa:
- Esqueceram-se de que sou em quem dá sabor ao bolo? Graças a mim, o bolo ganha aquele gosto docinho e único.
O óleo não perdeu tempo:
- Esperem aí! Se não fosse por mim, bolo nenhum ficaria cremoso. Sou indispensável!
O fermento, por sua vez, não ficou de fora:
-É claro que sou eu quem manda aqui, o mais importante! Sou eu quem dá volume à massa do bolo, deixando-o grande e leve. Sem mim, o bolo seria duro e pesado como um tijolo.
E assim foi o dia todo, até que os talheres entraram no meio da discussão:
- Quem é que meche a massa do bolo e o corta quando já está pronto para comer?
A batedeira contestou:
- Eu sou muito mais rápida e apropriada para preparar a massa.
E, também, as fôrmas não deixaram por menos:
- Nós modelamos o bolo da forma que quisermos.
De repente, todos ficaram em silêncio...
Ouviu-se apenas a voz do velho e sábio fogão.
- Ahhhhhhhh! Uma coisa direi a vocês e agora sabereis quem é o mais importante. Estão todos certos em seus argumentos, mas o que nos dá a resposta não são os contentos, e, sim, a gratidão que nos leva à união. O que importa não é quem de vocês é o mais importante, mas, sim, que, se estiverem unidos, não serão apenas zumbidos. Bolo não é farinha, bolo não é leite, também não é composto só por ovos. Bolo não é açúcar, não é óleo, não é fermento ou coisa e tal. Bolo é simplesmente bolo. É a união de todos vocês, sem esquecer das fôrmas, talheres e batedeira que são usados, e de mim, pois sou eu, ainda com o auxílio do fósforo, do fogo e do gás, quem os assa, finalizando, assim, um verdadeiro bolo e não uma simples mistura de ingredientes que independem um do outro para serem completos. Sem vocês, eu também não teria utilidade. Dizia um velho amigo meu, mais sábio do que eu: o que importa não é quem é o mais importante, mas sim que a união faz a força, ou, no nosso caso, a união faz o bolo.
Adriano Henrique Dos Santos
adrian_henri@hotmail.com
A Caneta e o Lápis
Certa vez, disse a Caneta para o Lápis:
- Sou mais poderosa que você!
- Por que você se acha mais poderosa que eu?!
- Porque, por onde passo, minha escrita é eterna.
- Mas isso eu também faço!
- Nada disso, senhor Lápis. Sua escrita, com o tempo, é facilmente apagada, enquanto que a minha é duradoura.
- Na verdade, senhora Caneta, o que importa é que realizamos a mesma função, qual seja, imprimir idéias.
- Mas eu, sim, tenho um grande diferencial: sou resistente ao tempo.
- Sinceramente, entendo que o mais importante é que contribuímos para manter as lembranças das pessoas. Não importa quanto tempo conseguimos fazê-lo, mas se, na prática, fomos úteis de alguma forma.
- Você se esquece de que, muitas vezes, sua escrita é rapidamente desfeita por uma borracha, de forma que ninguém se dá conta de que você um dia sequer existiu?
- Mas... mas... Quer saber de uma coisa? Eu não posso exigir que as pessoas, quando me utilizam, que o façam de maneira irretratável, pois isso está fora do meu objetivo, o qual consiste em permitir que as pessoas tenham novas idéias, colocando-as no papel, exatamente no lugar daquelas que, no passado, tiveram.
- É isso mesmo que critico, a sua instabilidade, pois eu, quando em ação, não sou esquecida, deixo minha impressão para a eternidade, enquanto que você não pode garantir que as pessoas se lembrem de sua escrita pelo resto de suas vidas.
- Vou te contar onde sou mais eficiente que você. Posso não ser tão duradouro quanto você e até mesmo deixar de existir, mas levo comigo uma grande vantagem: não guardo, eternamente, as mágoas e tristezas que as pessoas nutrem umas pelas outras. Ao contrário, permito que um dia possam se reconciliar. Já você, minha cara amiga Caneta, permanece com sua escrita cravada na mente das pessoas, não permitindo que a mágoa e as tristes lembranças sejam deletadas.
MORAL DA HISTÓRIA: Muitas vezes, agimos como uma caneta. Marcamos, para sempre, a vida das pessoas com palavras ásperas e duras, deixando-lhe marcas irreversíveis. Outra vezes, conseguimos ser como um lápis. Marcamos a vida das pessoas, até mesmo com palavras ásperas, mas agimos no sentido de apagar os efeitos e as tristes lembranças que essas palavras causaram. Como lápis, reconhecemos o erro, passamos a nossa vida a limpo e reescrevemos uma nova história!
Hélintha Coeto Neitzke
helintha@yahoo.com.br
Amizade Verdadeira
Moravam, em uma lata, três grãos de feijão que partilhavam um mesmo sonho: poder sair daquela lata e serem plantados em um imenso e lindo campo, onde pudessem criar raízes e se transformarem em um grande pé de feijão.
Durante um jantar, com muitos convidados, entrou pela cozinha porta adentro, todo esbaforido, falando alto com seus ajudantes, o cozinheiro chefe:
- Depressa! Depressa! Vocês não estão vendo que os convidados já estão chegando e vocês aí de tró-ló-ló?
O ajudante do cozinheiro, assustado com os gritos do seu chefe, pegou depressa a lata de feijão para jogá-los dentro do caldeirão de água fervente. Ao virar a lata, alguns feijões conseguiram fugir, pulando na beirada do caldeirão e depois no chão. Entre eles estavam os três amigos feijões sonhadores: o feijão preto, mais conhecido pelos amigos de Feijó; o feijão rosa, Rosadinho para os íntimos; e o carioca, vulgo Carioquinha.
Reunidos, no canto da cozinha, conversavam:
- Ufa! Essa foi por pouco! - disse Feijó, branco de medo.
- E agora!? O que vamos fazer para sair sem sermos vistos? – falou Rosadinho, apavorado.
- Deixa de ser bobo! – retrucou Carioquinha - É só esperar a porta se abrir e sair correndo. Não vejo a hora de chegar ao campo e sentir o cheirinho de terra molhada pelo orvalho da manhã.
Pobres feijões, mal sabiam eles que teriam de enfrentar uma verdadeira batalha para poder chegar ao tão sonhado campo.
Quando a porta se abriu, saíram correndo como planejado.
- O que é isso? – perguntou Carioquinha.
- Isso o quê? – disse Rosadinho.
- Esse negócio preto, achatado e comprido na sua frente. – respondeu Carioquinha. Além de Rosadinho é cego também?
- Ah! Isso?! – disse Rosadinho, tocando com o dedo – Viiixi! Além de grande, é muito, muito quente.
- Deixem de ser bobos! Não estão vendo?! Isto é um asfalto, e ele não é quente, está quente, por causa do calor do sol. – comentou Feijó.
- Ah, tá! E agora, doutor Feijó, como vamos atravessar isso?! – questionou Carioquinha, indignado. – Escapamos de ser cozidos naquele caldeirão para sermos fritos no asfalto quente?!
- Ai, ai, ai... A inteligência de vocês me deixa louco.
- Rosadinho! Ele nos chamou de burros!
- Calma, Carioquinha, releva... releva... Você sabe que o Feijó sempre foi assim, e não é agora que vão brigar.
- Já que você é tão sabichão, então me diga, doutor Feijó, como vamos atravessar esse asfalto que mais parece uma frigideira gigante? – quis saber Carioquinha com seu ar de deboche.
- É simples. É só esperar o sol se pôr. Ao anoitecer, o asfalto se esfriará e, então, atravessaremos.
- É, tenho que admitir. Você tem razão Feijó. Você é mesmo muito inteligente. – falou Carioquinha, todo envergonhado.
- Não! Não é uma questão de inteligência. É que eu consigo manter a calma diante das situações difíceis. Sem o autocontrole, não conseguimos raciocinar, entramos em pânico, e não conseguimos ver a solução que está bem à nossa frente.
- Ai, ai... Como é bom termos amigos. – interrompeu Rosadinho, suspirando por ver Feijó e Carioquinha, seus melhores amigos, fazendo as pazes.
- Amizade é isso mesmo Rosadinho. Podemos nos desentender de vez em quando, mas os verdadeiros amigos se perdoam e continuam se amando e aceitando o outro do jeito que ele é e não pelo que ele faz. Não é mesmo Carioquinha?
- É... Você tem razão Feijó.
Ao anoitecer, os três amigos atravessaram o asfalto que já não estava mais quente. E, assim, os três conseguiram chegar ao campo que eles tanto almejavam. Lá puderam realizar o sonho que juntos haviam sonhado.
Enquanto isso, os demais feijões que também conseguiram fugir da panela, com medo de serem vistos, decidiram ficar parados como estátuas exatamento no lugar onde caíram. Inesperadamente, foram recolhidos pelas mãos hábeis do cozinheiro que os colocou de volta na panela. Os feijões, medrosos e sem iniciativa, foram literalmente fervidos e, pasmem, não entenderam o porquê dessa má sorte.
Sirlene Maria Bertogna de Toledo
sbtsir@bol.com.br
Peso de Glória
Uma sentença.
Um dia glorioso.
Um dia marcado na história da humanidade, esperado desde o princípio (Gênesis 3:15)
Nunca imaginei que poderia desempenhar um papel tão importante. carregar um peso de glória. Nunca houve peso maior que esse.
Porém, antes de carregar o peso de glória fui carregado pelo Rei da glória.
Parecia o fim. Não havia cavalos e honras para Ele. Como sempre, não foi como o mundo imaginava que seria. Seu redentor não veio coberto de majestade.
O lugar da caveira se viu transformado no lugar de onde fluiu rios de águas vivas, de águas eternas. Eu e meus amigos, apesar de coadjuvantes, desempenhamos papel fundamental naquele temível e maravilhoso dia. Observamos tudo e fomos os únicos companheiros dEle naquele momento de agonia e de dor. A Cruz, os Cravos e os Espinhos.
Os cravos mantinham seu corpo moído e ensangüentado perto de mim. Juntos conseguimos manter seus braços abertor para que você sempre se lembrasse de como Ele espera por você. A Corôa, minha amiga, esteve ali também. Ferindo o rosto da verdade enquanto se derramava o sangue da justiça.
"Eli, Eli, lema sabactani?" (Mateus 27:46)
Às três da tarde, fomos seus únicos companheiros. Nem mesmo Seu amado Pai pode estar presente ali. Os pecados, as dores, a culpa, a vergonha estavam todos ali. A santidade se afastou, o Santo se fez maldição.
Até hoje sou lembrada, conhecida e anunciada. O agente de morte se transformou no agente de vida. O símbolo da condenação se revertera em símbolo de salvação. Muitos me idolatram, usam-me como amuleto da sorte ou proteção. Mas nao quero ser lembrada assim. Sei que tenho valor, pois tudo o que Ele toca se torna precioso. Até mesmo o que não damos a menor importância. Somente um toque e a cura acontece. Somente um toque e a tristeza desaparece.
Ele me tocou e eternamente serei lembrada. Ele me tocou e o meu desígnio mudou. Deixe ser tocado, pois a sua vida Ele quer transformar.
Assinado: a Cruz de Cristo
Giselle Paulino da Silva
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