Quem escreve, no meio evangélico, não pode conduzir-se meramente por aquilo que dita o “mercado”. Nem sempre o “mercado” quer o que precisa, mas o que faz cócegas aos seus ouvidos. No entanto, o escritor deve estar atento ao que está sendo sinalizado para que descubra quais são, de fato, as verdadeiras necessidades do público e possa, assim, supri-las. Ele é como um profeta. Suas palavras precisam estar carregadas de significado para os que o lêem. Sua missão não é vender ilusões, nem simplesmente funcionar como um analgésico, que minora os efeitos, mas não combate as causas. Tente eliminar a dor, claro, mas não deixe de ir às raízes. É lá que precisa ser transformado.
O escritor evangélico não pode escrever por escrever. Ele não é uma máquina de produção em série, que lança no “mercado” um livro atrás do outro. O anterior nem bem acabou de ser “digerido” pelos leitores, enquanto outro já está a caminho, numa voracidade comercial sem fim. As grandes perguntas a delinearem o seu processo de trabalho devem ser: “Que propósito tenho eu com esta obra? Que fins ela alcançará? Que benefícios o público terá com a sua publicação? Estou escrevendo, realmente, alguma coisa que valha a pena ou é apenas mais um “monte de palha” sem valor algum?
O escritor evangélico não é, também, um intermediário de “novas verdades”, “novas revelações” ou especialista em especulação teológica. Infelizmente, o que tem causado mais estrago em nosso meio são essas aberrações apresentadas como se fossem as mais novas descobertas no campo da espiritualidade e da teologia. Quantas heresias, quantos modismos, quanto sensacionalismo têm feito mal à vinha do Senhor por causa de escritores inescrupulosos e meramente comerciais! O que importa, para eles, é quanto entrou no caixa!
O escritor evangélico precisa submeter tudo quanto escreve ao crivo das Escrituras. Ela será sempre o padrão. A verdade primeira e última. É seu dever calar-se onde ela se cala e falar apenas onde ela fala. Assim, cabe-lhe perguntar a si mesmo: O que estou escrevendo é coerente com o que a Bíblia ensina? Este pensamento aqui registrado é apenas suposição pessoal ou corresponde a uma verdade escriturística? Estejamos lembrados de que tudo quanto for suposição ou pressuposto, mesmo que tenha legitimidade e coerência, como linha de raciocínio, deve configurar-se exatamente como o é, e não como respaldado pela Palavra de Deus. Paulo escreveu: "Digo eu, não o Senhor".
É óbvio que não se está discutindo aqui a linguagem. A forma de escrever é dinâmica e obedece a algumas regras para que a obra seja atraente. O escritor evangélico pode ser fiel às Escrituras e, ao mesmo tempo, saber como expressar-se para que o seu texto tenha empatia com o público. Ser bíblico não é sinônimo de escrever mal.. Muitas obras de qualidade há esquecidas nas prateleiras por causa da linguagem pesada, truncada e nada atraente. Quem escreve, precisa saber como escrever para alcançar o seu público. Mas escrever bem não é, também, sinônimo de escrever qualquer coisa.
Ao final, convém repetir o rei Salomão, que não ficou apenas na frase: “Não há limite para fazer livros”, mas acrescentou: “De tudo o que se tem ouvido, o fim é: Teme a Deus e guarda os seus mandamentos, porque este é o dever de todo o homem”, Ec 12.13. Moral da história: tudo quanto se escreve tem de produzir esse resultado.
Texto de Geremias Couto (Escritor, jornalista, conferencista, autor do livro "A Transparência da Vida Cristã", um estudo teológico-devocional sobre o Sermão do Monte, comentarista da revista "Lições Bíblicas" para a Escola Dominical, publicada pela CPAD, pastor evangélico, presidente da Omega Mission Ministry, Inc, membro da Casa de Letras Emílio Conde, editor pela CPAD da Bíblia de Estudo Pentecostal, verbete do Dicionário do Movimento Pentecostal.)
segunda-feira, 19 de maio de 2008
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