A Verdade e a Mentira
Discutiam entre si a Verdade e a Mentira:
Toda imponente, dizia a Mentira:
- Eu tenho um dia por ano em minha homenagem. E você, Verdade? Tem um dia que te homenageiam?
Sem que a Verdade pudesse responder, continuou a mentira:
- Acontecerá, na cidade, um grande concurso de mentiras, e a que for considerada a melhor de todas receberá um prêmio surpresa. Concurso moleza, pois sou perito nisso. Faço, inclusive, parte de muitos negócios que se fazem no mundo e dou muito lucro aos meus adeptos.
-Você se orgulha disso, Mentira? Você é totalmente contra o amor, porque o Amor e a Mentira não andam juntos. Eu, a Verdade, sei respeitar as pessoas e, por isso, também mereço respeito. Faço parte do amor, da integridade e não causo dano a ninguém.
- Mas elas preferem a mim! Sou mais vantajosa que você, dona Verdade.
- Aí que você se engana, senhora Mentira. Quem prevalece sou eu, pois, como diz o ditado popular, “Mentira tem perna curta”. Você não vai muito longe e, por conta disso, já foi desmascarada muitas vezes.
A Mentira, com seu cinismo peculiar, responde;
- Não importa! Sempre vou existir... Posso ter a perna curta, mas tenho o nariz comprido, e gosto dele assim! Quanto mais comprido, melhor!
E, no concurso das mentiras, o vencedor não levou o prêmio, porque o prêmio era uma mentira.
Pois é, a Mentira provou do próprio veneno...
Wilson Peres Antiqueira
wilson@kntjeans.com.br
Quem é mais importante?
Em uma cozinha, alimentos discutiam entre si. Queriam saber quem era o mais importante para que o bolo fosse feito e ficasse saboroso.
Disse a farinha:
- Seus tolinhos, todos tontinhos! Não há dúvidas de que nenhum de vocês é mais importante do que eu, pois sou eu quem dá o sustento ao bolo, deixando-o resistente.
O leite retrucou:
- Onde já se viu, um monte de pó branco dizendo ser a tal. Com certeza, sou eu o mais importante. Se não fosse por mim, o bolo ficaria pura poeira branca. Sou eu quem deixa o bolo molhadinho.
Os ovos também entraram na discussão. Diziam:
- É claro que somos nós os mais importantes. Se não fossemos nós, não teria aquele tchan no bolo. Damos a ele um toque especial e nutritivo.
O açúcar não ficou fora dessa:
- Esqueceram-se de que sou em quem dá sabor ao bolo? Graças a mim, o bolo ganha aquele gosto docinho e único.
O óleo não perdeu tempo:
- Esperem aí! Se não fosse por mim, bolo nenhum ficaria cremoso. Sou indispensável!
O fermento, por sua vez, não ficou de fora:
-É claro que sou eu quem manda aqui, o mais importante! Sou eu quem dá volume à massa do bolo, deixando-o grande e leve. Sem mim, o bolo seria duro e pesado como um tijolo.
E assim foi o dia todo, até que os talheres entraram no meio da discussão:
- Quem é que meche a massa do bolo e o corta quando já está pronto para comer?
A batedeira contestou:
- Eu sou muito mais rápida e apropriada para preparar a massa.
E, também, as fôrmas não deixaram por menos:
- Nós modelamos o bolo da forma que quisermos.
De repente, todos ficaram em silêncio...
Ouviu-se apenas a voz do velho e sábio fogão.
- Ahhhhhhhh! Uma coisa direi a vocês e agora sabereis quem é o mais importante. Estão todos certos em seus argumentos, mas o que nos dá a resposta não são os contentos, e, sim, a gratidão que nos leva à união. O que importa não é quem de vocês é o mais importante, mas, sim, que, se estiverem unidos, não serão apenas zumbidos. Bolo não é farinha, bolo não é leite, também não é composto só por ovos. Bolo não é açúcar, não é óleo, não é fermento ou coisa e tal. Bolo é simplesmente bolo. É a união de todos vocês, sem esquecer das fôrmas, talheres e batedeira que são usados, e de mim, pois sou eu, ainda com o auxílio do fósforo, do fogo e do gás, quem os assa, finalizando, assim, um verdadeiro bolo e não uma simples mistura de ingredientes que independem um do outro para serem completos. Sem vocês, eu também não teria utilidade. Dizia um velho amigo meu, mais sábio do que eu: o que importa não é quem é o mais importante, mas sim que a união faz a força, ou, no nosso caso, a união faz o bolo.
Adriano Henrique Dos Santos
adrian_henri@hotmail.com
A Caneta e o Lápis
Certa vez, disse a Caneta para o Lápis:
- Sou mais poderosa que você!
- Por que você se acha mais poderosa que eu?!
- Porque, por onde passo, minha escrita é eterna.
- Mas isso eu também faço!
- Nada disso, senhor Lápis. Sua escrita, com o tempo, é facilmente apagada, enquanto que a minha é duradoura.
- Na verdade, senhora Caneta, o que importa é que realizamos a mesma função, qual seja, imprimir idéias.
- Mas eu, sim, tenho um grande diferencial: sou resistente ao tempo.
- Sinceramente, entendo que o mais importante é que contribuímos para manter as lembranças das pessoas. Não importa quanto tempo conseguimos fazê-lo, mas se, na prática, fomos úteis de alguma forma.
- Você se esquece de que, muitas vezes, sua escrita é rapidamente desfeita por uma borracha, de forma que ninguém se dá conta de que você um dia sequer existiu?
- Mas... mas... Quer saber de uma coisa? Eu não posso exigir que as pessoas, quando me utilizam, que o façam de maneira irretratável, pois isso está fora do meu objetivo, o qual consiste em permitir que as pessoas tenham novas idéias, colocando-as no papel, exatamente no lugar daquelas que, no passado, tiveram.
- É isso mesmo que critico, a sua instabilidade, pois eu, quando em ação, não sou esquecida, deixo minha impressão para a eternidade, enquanto que você não pode garantir que as pessoas se lembrem de sua escrita pelo resto de suas vidas.
- Vou te contar onde sou mais eficiente que você. Posso não ser tão duradouro quanto você e até mesmo deixar de existir, mas levo comigo uma grande vantagem: não guardo, eternamente, as mágoas e tristezas que as pessoas nutrem umas pelas outras. Ao contrário, permito que um dia possam se reconciliar. Já você, minha cara amiga Caneta, permanece com sua escrita cravada na mente das pessoas, não permitindo que a mágoa e as tristes lembranças sejam deletadas.
MORAL DA HISTÓRIA: Muitas vezes, agimos como uma caneta. Marcamos, para sempre, a vida das pessoas com palavras ásperas e duras, deixando-lhe marcas irreversíveis. Outra vezes, conseguimos ser como um lápis. Marcamos a vida das pessoas, até mesmo com palavras ásperas, mas agimos no sentido de apagar os efeitos e as tristes lembranças que essas palavras causaram. Como lápis, reconhecemos o erro, passamos a nossa vida a limpo e reescrevemos uma nova história!
Hélintha Coeto Neitzke
helintha@yahoo.com.br
Amizade Verdadeira
Moravam, em uma lata, três grãos de feijão que partilhavam um mesmo sonho: poder sair daquela lata e serem plantados em um imenso e lindo campo, onde pudessem criar raízes e se transformarem em um grande pé de feijão.
Durante um jantar, com muitos convidados, entrou pela cozinha porta adentro, todo esbaforido, falando alto com seus ajudantes, o cozinheiro chefe:
- Depressa! Depressa! Vocês não estão vendo que os convidados já estão chegando e vocês aí de tró-ló-ló?
O ajudante do cozinheiro, assustado com os gritos do seu chefe, pegou depressa a lata de feijão para jogá-los dentro do caldeirão de água fervente. Ao virar a lata, alguns feijões conseguiram fugir, pulando na beirada do caldeirão e depois no chão. Entre eles estavam os três amigos feijões sonhadores: o feijão preto, mais conhecido pelos amigos de Feijó; o feijão rosa, Rosadinho para os íntimos; e o carioca, vulgo Carioquinha.
Reunidos, no canto da cozinha, conversavam:
- Ufa! Essa foi por pouco! - disse Feijó, branco de medo.
- E agora!? O que vamos fazer para sair sem sermos vistos? – falou Rosadinho, apavorado.
- Deixa de ser bobo! – retrucou Carioquinha - É só esperar a porta se abrir e sair correndo. Não vejo a hora de chegar ao campo e sentir o cheirinho de terra molhada pelo orvalho da manhã.
Pobres feijões, mal sabiam eles que teriam de enfrentar uma verdadeira batalha para poder chegar ao tão sonhado campo.
Quando a porta se abriu, saíram correndo como planejado.
- O que é isso? – perguntou Carioquinha.
- Isso o quê? – disse Rosadinho.
- Esse negócio preto, achatado e comprido na sua frente. – respondeu Carioquinha. Além de Rosadinho é cego também?
- Ah! Isso?! – disse Rosadinho, tocando com o dedo – Viiixi! Além de grande, é muito, muito quente.
- Deixem de ser bobos! Não estão vendo?! Isto é um asfalto, e ele não é quente, está quente, por causa do calor do sol. – comentou Feijó.
- Ah, tá! E agora, doutor Feijó, como vamos atravessar isso?! – questionou Carioquinha, indignado. – Escapamos de ser cozidos naquele caldeirão para sermos fritos no asfalto quente?!
- Ai, ai, ai... A inteligência de vocês me deixa louco.
- Rosadinho! Ele nos chamou de burros!
- Calma, Carioquinha, releva... releva... Você sabe que o Feijó sempre foi assim, e não é agora que vão brigar.
- Já que você é tão sabichão, então me diga, doutor Feijó, como vamos atravessar esse asfalto que mais parece uma frigideira gigante? – quis saber Carioquinha com seu ar de deboche.
- É simples. É só esperar o sol se pôr. Ao anoitecer, o asfalto se esfriará e, então, atravessaremos.
- É, tenho que admitir. Você tem razão Feijó. Você é mesmo muito inteligente. – falou Carioquinha, todo envergonhado.
- Não! Não é uma questão de inteligência. É que eu consigo manter a calma diante das situações difíceis. Sem o autocontrole, não conseguimos raciocinar, entramos em pânico, e não conseguimos ver a solução que está bem à nossa frente.
- Ai, ai... Como é bom termos amigos. – interrompeu Rosadinho, suspirando por ver Feijó e Carioquinha, seus melhores amigos, fazendo as pazes.
- Amizade é isso mesmo Rosadinho. Podemos nos desentender de vez em quando, mas os verdadeiros amigos se perdoam e continuam se amando e aceitando o outro do jeito que ele é e não pelo que ele faz. Não é mesmo Carioquinha?
- É... Você tem razão Feijó.
Ao anoitecer, os três amigos atravessaram o asfalto que já não estava mais quente. E, assim, os três conseguiram chegar ao campo que eles tanto almejavam. Lá puderam realizar o sonho que juntos haviam sonhado.
Enquanto isso, os demais feijões que também conseguiram fugir da panela, com medo de serem vistos, decidiram ficar parados como estátuas exatamento no lugar onde caíram. Inesperadamente, foram recolhidos pelas mãos hábeis do cozinheiro que os colocou de volta na panela. Os feijões, medrosos e sem iniciativa, foram literalmente fervidos e, pasmem, não entenderam o porquê dessa má sorte.
Sirlene Maria Bertogna de Toledo
sbtsir@bol.com.br
Peso de Glória
Uma sentença.
Um dia glorioso.
Um dia marcado na história da humanidade, esperado desde o princípio (Gênesis 3:15)
Nunca imaginei que poderia desempenhar um papel tão importante. carregar um peso de glória. Nunca houve peso maior que esse.
Porém, antes de carregar o peso de glória fui carregado pelo Rei da glória.
Parecia o fim. Não havia cavalos e honras para Ele. Como sempre, não foi como o mundo imaginava que seria. Seu redentor não veio coberto de majestade.
O lugar da caveira se viu transformado no lugar de onde fluiu rios de águas vivas, de águas eternas. Eu e meus amigos, apesar de coadjuvantes, desempenhamos papel fundamental naquele temível e maravilhoso dia. Observamos tudo e fomos os únicos companheiros dEle naquele momento de agonia e de dor. A Cruz, os Cravos e os Espinhos.
Os cravos mantinham seu corpo moído e ensangüentado perto de mim. Juntos conseguimos manter seus braços abertor para que você sempre se lembrasse de como Ele espera por você. A Corôa, minha amiga, esteve ali também. Ferindo o rosto da verdade enquanto se derramava o sangue da justiça.
"Eli, Eli, lema sabactani?" (Mateus 27:46)
Às três da tarde, fomos seus únicos companheiros. Nem mesmo Seu amado Pai pode estar presente ali. Os pecados, as dores, a culpa, a vergonha estavam todos ali. A santidade se afastou, o Santo se fez maldição.
Até hoje sou lembrada, conhecida e anunciada. O agente de morte se transformou no agente de vida. O símbolo da condenação se revertera em símbolo de salvação. Muitos me idolatram, usam-me como amuleto da sorte ou proteção. Mas nao quero ser lembrada assim. Sei que tenho valor, pois tudo o que Ele toca se torna precioso. Até mesmo o que não damos a menor importância. Somente um toque e a cura acontece. Somente um toque e a tristeza desaparece.
Ele me tocou e eternamente serei lembrada. Ele me tocou e o meu desígnio mudou. Deixe ser tocado, pois a sua vida Ele quer transformar.
Assinado: a Cruz de Cristo
Giselle Paulino da Silva
giseli83@yahoo.com.br
segunda-feira, 19 de maio de 2008
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